História Dinâmica

Não só de passado vive o homem, mas das ações presentes compartilhadas, com o olhar para frente, estimulando, participações sociais, integradas, teóricas e práticas, que incentivem a obtenção de mais resultados, tornando os indivíduos e as coletividades mais livres, porém com, mais dignidade, abertura de espaços e oportunidades para todos. É preciso que esta história seja, cada mais dinâmica, que especialmente vise, ainda mais, cuidar das prioridades, das boas ações, dos resultados, (os)as que são ligado(as), interligado(as), integrado(as),globalizado(as) e socializado(as), em redes, dentro de movimentos constantes de atuação.

Que todas as boas ações passem, a fazer parte dos estados permantes de evolução, mas com o foco nas melhorias contínuas, principalmente ao buscar, estimular e realizar ações, para resultados concretos, mediante metas de perspectivas crescentes, de desenvolvimento e inovação, para que o Brasil seja, cada vez mais, próspero e o mais justo possível, no futuro.

(Fonseca, M.C.da S.)

Farmacêutica-Bioquímica, Natural de Santos Dumont

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Lula diz que países fariam escândalo com vazamento de petróleo no Brasil

31/05/2010

No Rio, ele participa de evento sobre soluções para mobilidade sustentável.

Ele criticou os 'grandes' por não saberem parar tragédia no Golfo do México.
Alba Valéria Mendonça
G1 RJ

Lula vistoria caminhão em feira no Rio de Janeiro
(Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas nesta segunda-feira (31) às ações de combate ao vazamento de petróleo no Golfo do México e afirmou que problema semelhante no Brasil seria motivo para um escândalo internacional. "Os grandes não sabem parar o vazamento. Acho engraçado, se fosse a Petrobrás, na Baía de Guanabara, seria um escândalo o que o mundo desenvolvido faria contra nós", disse.

A declaração de Lula sobre o desastre ambiental foi motivo de aplausos da plateia que participa da abertura do Michelin Challenge Bibendum no Riocentro, no Rio de janeiro.

Em seu discurso, Lula criticou ainda os países ricos dizendo que o Brasil mostrou ao mundo, "humildemente", como se faz política econômica com seriedade. "O Brasil aprendeu que o que acontece no mundo hoje é de uma irresponsabilidade muito grande. O mercado não é Deus e o estado não é o diabo. Aprendemos que se os dois funcionarem bem juntos é um tanto melhor", disse. "No Brasil, não vacilamos", disse.

O presidente ainda defendeu o biodiesel como importante matriz energética do país e disse que vai incentivar a produção de combustível a partir da palma do dendê. "Além de fornecer combustível, vai dar para recuperar uma área degradada de mais de 30 milhões de hectares no Pará", disse.

O Brasil aprendeu que o que acontece no mundo hoje é de uma irresponsabilidade muito grande. O mercado não é Deus e o estado não é o diabo. Aprendemos que se os dois funcionarem bem juntos é um tanto melhor" - Luiz Inácio Lula da Silva
Renovação da frota

O evento do qual o presidente participou apresenta uma série de soluções para mobilidade rodoviária sustentável como veículos que usam energia limpa. O presidente defendeu a renovação da frota brasileira. Lula chegou ao pavilhão da abertura da feira em um ônibus movido a hidrogênio desenvolvido pelo Laboratório de Hidrogênio da Coppe/UFRJ, apontado como o caso de transporte sustentável para o Rio na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.

Segundo Lula, há algum tempo o Brasil tomou consciência de que era preciso renovar sua frota de automóveis, que segundo ele, tinha a idade média avançada. Ele destacou que essa renovação ocorrida nos últimos anos aumentou o nível de emprego e ajudou na redução da emissão de gases do efeito estufa. "Hoje, praticamente 100% dos carros produzidos no país são flex fuel, sendo que 60% da preferência dos motoristas desses carros é pelo etanol na hora de encher o tanque. Isso reafirma o etanol como importante matriz energética brasileira", disse.

O presidente afirmou ainda que houve renovação da frota de caminhões e tratores. Ele lembrou que foram realizados avanços no programa de financiamento para prefeituras para que tenham possibilidade de renovar sua frota de ônibus. "Temos ônibus com mais de 20 anos de uso rodando, ou seja, não só poluindo, mas colocando a vida das pessoas em risco. Vamos aumentar a produção para atender não só o Brasil mas a América do Sul, a América Latina e o continente africano", disse.

2/6/2010
Indústria debate a mobilidade sustentável

Encontro que nasceu da conscientização de executivos da Michelin, fábrica de pneus, procura soluções para reduzir emissão de gases.

Em meio às atividades do Dia Mundial do Meio Ambiente, que é celebrado em 5 de junho, o complexo do Riocentro, no Rio de Janeiro, foi o local de convergência de boa parte da indústria automotiva do planeta. O motivo é a discussão de formas de avançar para sistemas de mobilidade rodoviária sustentável, tema central da 10 edição do Challenge Bibendum. O evento nasceu da conscientização de executivos da indústria de pneus Michelin, que decidiram abrir esse processo de discussão quanto ao futuro do transporte no mundo e sobre a busca de soluções para a redução das emissões de gases poluentes.

No Rio, o local escolhido para as conferências, painéis, ralis e test drives de veículos-conceito não poderia ser mais adequado. Foi no mesmo Riocentro que ocorreu a Eco 92, um dos marcos da discussão sobre as agressões ambientais ao planeta. Para o vice-presidente da Michelin, Patrick Oliva, essa edição pretende demonstrar que uma mobilidade rodoviária "mais limpa, mais segura e mais conectada" está ao alcance desta geração, desde que ela realmente deseje que aconteça. Já o presidente da empresa, Michel Rollier, ressaltou que o Rio de Janeiro foi escolhido porque essa nova fase da produção sustentável passa pelo Brasil e pelas suas pesquisas para o desenvolvimento do etanol e de novas alternativas. "Os desafios não são somente os de criar uma mobilidade limpa, mas mais segura. Temos de combater a mortalidade rodoviária", afirmou Rollier.

Segundo acrescentou ainda o executivo, os projetos mostram que, em pouco tempo, a indústria automobilística conseguirá reduzir para níveis muito baixos as emissões de dióxido de carbono (CO2) dos automóveis, de cerca de 50 gramas por veículo, por meio de tecnologias que também envolvam os pneus. Ele citou o carro elétrico, os biocombustíveis e a recuperação de energia na frenagem.

Entre os debates, o executivo lembrou que não é apenas a indústria automobilística que precisa inovar. "Há espaço para que pesquisadores, empresas e governos trabalhem para a produção de combustíveis renováveis, que garantam uma melhor performance e menos poluição. "Temos de repensar e de reinventar o uso dos veículos, oferecendo mais para o consumidor, capturando o cliente pelo merecimento nesse novo papel de mudança em que a cadeia produtiva está envolvida.”

O presidente Lula reafirmou a disposição do Brasil em avançar no sentido de se tornar uma referência na produção de combustíveis alternativos. Na solenidade de abertura, ele destacou o desenvolvimento do etanol e as pesquisas que vêm sendo feitas para ampliar a produção de biocombustíveis. "Desenvolvemos projetos importantes e estamos atuando para que a renovação da frota traga reflexos positivos para a economia, sobretudo na redução da emissão de gases que contribuem para o efeito estufa", assinalou.

Até esta quinta-feira, mais de 3,5 mil participantes, entre empresários, autoridades, pesquisadores e técnicos de companhias do mundo inteiro, além de mais de 300 jornalistas, vão discutir as alternativas tecnológicas e avanços da indústria para tornar a mobilidade rodoviária algo diretamente ligado à sustentabilidade ecológica do planeta.

SANDRO SCHREINER | Enviado especial

Futuro do transporte, assunto abordado no Riocentro, foi prestigiado por Lula

Por Correio do Povo - RS

Fonte: Intelog





Meio Ambiente

2 de junho de 2010

Encontro debate desafios para modelo sustentável de transporte no Brasil
Melissa Silva
Da Assessoria de Comunicação do MMA

No último dia de conferências sobre mobilidade rodoviária sustentável da 10ª Edição do Challenge Bibendum, a secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Branca Americano, participaram da mesa-redonda Tecnologias de Ponta da Indústria Automotiva, Regulamentação do Setor de Energia e suas Contribuiçõe ao Meio Ambiente.

Em sua apresentação, Branca destacou a importância do transporte rodoviário no Brasil, tanto para transporte de passageiros como para o de cargas, dado ao modelo de desenvolvimento assumido pelo País desde a década de 50, quando o então presidente Juscelino Kubistchek investiu de forma maciça na área automotiva.

Para se ter idéia, cerca de 60% do transporte de passageiros nas grandes cidades (acima de 60 mil habitantes) é feito por meio rodoviário, seja utilizando ônibus municipal, metropolitano, automóvel, motocicleta, trem ou metrô. Para as cargas, dados de 2009 da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que 61,09% são transportadas por meio rodoviário e 20,73% pelas ferrovias.

Frente ao cenário atual do País, com aumento da frota de veículos pesados, de passeios e motocicletas, o crescimento das emissões de gás carbônico (CO²) fóssil oriundo dos combustíveis de fontes não renováveis, no entanto, com a redução de emissões de monóxido de carbono (CO), a secretária acredita na continuidade e reforço das políticas públicas brasileiras que vêm investir em em alternativas que minimizem o impacto para as mudanças climáticas e permitam atingir a meta de redução de emissões prevista na Política do Clima sancionada no final do ano passado.

Em relação aos combustíveis, a expectativa é aumentar a participação das fontes renováveis no mercado, como o biodiesel e o etanol, e melhorar a qualidade dos combustíveis. prevê Branca.

Para o controle da frota de veículos, ela defende reforços para os programas de regulamentação e inspeção veiculares, como o Proconve [Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores], o Nota Verde e os programas estaduais e municipais de inspeção e manutenção dos carros.

Tudo isso sem esquecer os investimentos imprescindíveis no sistema de Transporte, com implantação dos modais rodoviários, a gestão do sistema de transporte como um todo (rodovias e cidades), incluindo incrementos de melhoraria da circulação dos carros para diminuir a pressão do tráfego nas grande metrópoles.

De acordo com a secretária, o setor de transporte é responsável por 14% das emissões dos gases de efeito estufa, sendo que 72% emitidos pelo modal rodoviário, principalmente caminhões e ônibus, dos quais apenas 20% utilizam combustível renovável (álcool hidratado) em sua frota.

Outro dado preocupante, é a relação de passageiros transportados. Enquanto os coletivos transportaram 16,8 bilhões de pessoas entre 2008 e 2009, emitindo 2% de CO e 32% de CO², o carro individual ou motocicleta transportaram quase que igualmente 17 bilhões de passageiros, mas emitindo muito mais: 98% de CO e 68% de CO². Isso mostra que precisamos definitivamente criar estímulos para viabilizar o transporte coletivo com eficiência para combater as emissões em geral, disse Branca.

Challenge Bibendum - O evento, organizado pela Michellin, termina do dia 3, no Rio de Janeiro e tem o objetivo de abordar questões ligadas ao transporte rodoviário, como fornecimento de energia, emissões de gás de efeito estufa, segurança rodoviária, poluição urbana e congestionamento. A ideia é mobilizar os representantes do setor para buscar o apoio necessário e colocar em prática soluções a favor da mobilidade rodoviária sustentável.

Em 2010 é a primeira vez que o encontro ocorre na América Latina, e a escolha da região deve-se à importância que o Brasil alcançou no cenário internacional. Durante os quatro de evento, os participantes puderam observar os testes técnicos e ralis para analisar, em primeira mão, as performances e o progresso das novas tecnologias, bem como conferir exposições de novas tecnologias, fóruns, mesas-redondas temáticas, concurso de design e sessões de demonstrações tecnológicas.

Acesse e leia :

Blog Mobilidade Sustentavel

Aprendizagem, por Peter Senge - Nosso caminho, destino e prazer

"(...) No fundo, somos todos aprendizes. Não é preciso ensinar uma criança a aprender. Elas são intrinsecamente curiosas, excelentes aprendizes, que aprendem a andar, falar e viver por conta própria. (...)

Aprender não só faz parte da natureza humana (...) - nós adoramos aprender. (..)

A verdadeira aprendizagem chega ao coração do que significa ser humano. Através da aprendizagem, nos recriamos. Através da aprendizagem tornamo-nos capazes de fazer algo que nunca fomos capazes de fazer. Através da aprendizagem percebemos novamente o mundo e nossa relação com ele. Através da aprendizagem ampliamos nossa capacidade de criar, de fazer parte do processo gerativo da vida. Existe dentro de nós uma intensa sede para este tipo de aprendizagem. É, nas palavras de Bill O'Brien, da Hanover Insurance, 'tão fundamental para o ser humano quanto o desejo sexual'."

Peter Senge
em A Quinta Disciplina
(Best Seller, 10a. edição, págs. 38 e 47)


Como aplicar as cinco disciplinas de Peter Senge nas empresas
Qui, 15 de Fevereiro de 2007

Cláudio Raza*

As empresas estão diante de um macrosistema marcado pela incerteza que provoca a necessidade de mudanças. O administrador como um agente de transformação necessita de um novo perfil, caracterizado pela necessidade urgente de mudar a sua maneira de ver o processo de aprendizagem como uma forma de requalificação profissional, passando a concebê-la como um instrumento de renovação dos seus conhecimentos que acontece no dia-a-dia das organizações.

Estão novamente em pauta os estudos sobre “A ORGANIZAÇÃO QUE APRENDE” ou “LEARNING ORGANIZATION” O que são as organizações que aprendem? Mario Kempenich - consultor de Marketing em entrevista a TV a Cabo: “É aquela em que o conhecimento é à base de tudo que a empresa faz. As empresas do passado precisam muito do capital dinheiro no negócio da produção. Hoje em dia, é preciso investir capital humano.

A questão de aprender, até a pouco, a empresa enviava os profissionais para o treinamento, para fora, para um congresso, para um seminário etc. Mas não existia na empresa um sentimento de passar este aprendizado para outras pessoas. Peter Senge montou um sistema que permite a empresa disseminar esta informação pela empresa. Assim, a empresa tem uma maior facilidade de aprender...

Às vezes pensa-se que pegar uma estrutura do piramidal (manda quem pode, obedece quem tem juízo), então, mandam-se as pessoas para fazerem palestras, cursos, etc e a empresa monta um sistema para transferir estas informações. Mas não é só isso. É preciso que a empresa aprenda a trabalhar em grupo, com times, que evolua das funções para os processos, das células multifuncionais.

Uma empresa pequena, com 20-40 funcionários pode ser uma learning organization se, se estruturar para que este processo funcione”. É fácil transformar uma empresa numa learning organization? Roberto Marx - professor da Escola Politécnica da Universidade São Paulo em entrevista a TV a cabo: “Não é fácil.

É algo que leva tempo e é muito difícil de se avaliar, de se medir, constar quais as empresas que estão ou não enquadradas neste contexto. A idéia de organização que aprende, para ser implementada precisa de uma série de iniciativas que não são fáceis, não são rápidas.

Devem na verdade configurar uma nova trajetória de mudança de longo prazo. Mudanças que tem a ver com uma nova estrutura da empresa, com uma nova estratégia de negócios e, finalmente, com uma nova forma de trabalhar. Por conter todas estas dimensões, trata-se de uma questão complexa e que demanda tempo para sua implementação...

Não se trata de acabar com a hierarquia e sim modificá-la. Numa organização que aprende, a hierarquia continua existindo mas, é diferente da hierarquia numa organização tradicional. Continua-se tendo chefes e subordinados. Mas as diferenças hierárquicas são menores e os desníveis de conhecimento também”. Entretanto não é difícil encontrar empresas que são verdadeiras "prisões intelectuais", cerceando o próprio direito de pensar de seus funcionários, são frases como:

"Aqui você não é pago para questionar e sim para executar", ou "Não invente, faça somente o que está previsto", que refletem um pensamento mecanicista e inviável atualmente, tais empresas precisam urgentemente perceber que o grande diferencial nas organizações é seu potencial humano, pois a tecnologia cada vez mais fica acessível a todos.

Segundo PETER SENGE (1990), o ciclo de aprendizagem é iniciado e mantido pelas cinco disciplinas: A primeira disciplina é o domínio pessoal. Significa aprender a expandir as capacidades pessoais para obter os resultados desejados e criar um ambiente empresarial que estimule todos os colaboradores (funcionários) a buscar e alcançar seus objetivos sem medo de errar, isto é, aprender a aproximar a realidade da visão pessoal.

A segunda disciplina, modelos mentais, São imagens do mundo que construímos a partir das nossas vivências e por meio dos quais nos orientamos. O objetivo desta disciplina é rever nossos modelos mentais para ajustá-los à realidade.

A terceira disciplina, visão compartilhada, é estimular o engajamento do grupo em relação ao futuro que se procura criar e elaborar os princípios e as diretrizes que permitirão que esse futuro seja alcançado. As pessoas precisam ter um “espaço” para falar e serem ouvidas, para construir uma visão que vá ao encontro de suas aspirações e do futuro que desejam para a empresa, Ao permitir várias visões pessoais, terão uma maior possibilidade de explorar as diferentes perspectivas da realidade e do futuro.

A quarta disciplina, aprendizado em equipe, transformar as aptidões coletivas ligadas a pensamento e comunicação, de maneira que grupos de pessoas possam desenvolver inteligência e capacidades maiores do que a soma dos talentos individuais. A eficácia não é resultado de um esforço apenas individual, mas sim resultado de ações sinérgicas, com um forte sentido de cooperação.

A quinta disciplina, pensamento sistêmico, Trata-se de uma disciplina que permite analisar e compreender a organização como um sistema e descrever as inter-relações existentes entre os seus elementos. Cada componente exerce influências e traz informações a outros, promovendo o crescimento, o declínio ou a estabilidade do sistema como um todo.

A organização que aprende, ou o “learning organization’ dá cada vez mais valor à geração de conhecimento interna. Criar uma ambiente de trabalho em que possibilite que uma instância de treinamento seja o próprio local de trabalho.

Além do conjunto de treinamentos formais, as empresas que aprendem consideram cada vez mais o próprio local para que ocorra discussão em grupo dos problemas anormais: erros, falhas, problemas de qualidade. Não no sentido de apontar culpados, mas falhas da organização como um todo. Este tipo de treinamento ainda é muito pouco usado pelas empresas mas pode configurar-se numa forma de treinamento muito útil e relevante.

*Cláudio Raza: Administrador de Empresas, Economista, Contador, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas para Negócio, Professor Universitário, mais de 35 anos assessorando empresas.

Copiar as melhores práticas não é aprender

A raíz da inovação está na teoria e nos métodos, não na prática. Absorver as melhores práticas, como tem estado em moda, não gere aprendizagem real. A organização que aprende não é uma máquina de «clonagem» das melhores práticas de outros. As cinco disciplinas são hoje fundamentais para enfrentar tempos de crise

Peter Senge, o mago da «Quinta Disciplina», com Jorge Nascimento Rodrigues

A caminho dos 51 anos, Peter Senge é uma das marcas de prestígio internacional do Massachusetts Institute of Technology (MIT) na área da gestão. A ele se deve a difusão do conceito de 'aprendizagem organizacional' e de 'organização que aprende' (conhecido mundialmente pela «buzzword» em inglês 'learning organization') que passou a entrar na linguagem de negócios.

Em termos simples, a ideia é que não basta a empresa ter uma, duas ou algumas cabeças pensantes, mas sim funcionar colectivamente como um 'organismo' que aprende. E aprender não é absorver informação ou copiar, mas perceber as coisas, o que exige de cada um de nós dominar cinco 'disciplinas'. Nesta entrevista exclusiva aclara algumas das suas ideias, como cartão de visita ao leitor português.

Leia e Acesse os sites :

Copiar as Melhores Práticas não é aprender

O IMPACTO DAS “CINCO DISCIPLINAS” DE PETER SENGE NA COMPETITIVIDADE DA EMPRESA: O CASO DE UMA REDE DE LOJAS DO SETOR COMERCIAL

As Organizações que aprendem segundo Peter Senge” A Quinta Disciplina”


O A do CHA - A avaliação por competências do líder-coach

Neste livro o autor apresenta um novo método de avaliação por competências que desenvolveu à partir de sua experiência de 12 anos em programas de coaching executivo.

É um livro dirigido ao profissional que atua como líder-coach junto aos seus colaboradores e aos profissionais de Recursos Humanos.

O foco do livro é a ATITUDE. O A do CHA (Conhecimento, Habilidade e Atitude).

É a atitude que leva à tradução concreta em resultados.

Visando fazer da avaliação por competências um instrumento de desenvolvimento profissional, o autor constrói uma forma eficaz de feedback baseado em evidências, que vem se traduzindo em importantes resultados concretos, observados nas mais diversas aplicações já realizadas.

A comunicação, o papel do líder, a representação simbólica do líder no psiquismo humano, o cuidado com o ambiente psicológico representado pelo “preparar da terra” para o êxito na avaliação, os ganhos para a empresa e para o profissional, os aspectos fundamentais das relações humanas que se apresentam nos processos de avaliação por competências como: a empatia, a reciprocidade, a confiança e a necessidade de olhar o colaborador como um indivíduo único, são alguns pontos abordados neste livro.


Sua empresa é Ltda. só no CNPJ?
Qui, 15 de Fevereiro de 2007 14:46
José Teofilo Neto*

Num recente artigo(*), a professora Betania Tanure analisa a trajetória de empresas que experimentaram o sucesso, conviveram com a arrogância de seu pessoal, finalizando com a chegada da crise, dando apropriadamente a este ciclo o nome de "Síndrome do Subdesempenho Satisfatório".

Sugiro ler novamente o nome dado, pois diferentemente do significado que teria se fosse "desempenho insatisfatório", estamos diante da inércia corporativa, pois aceita-se como satisfatório o subdesempenho.

Brilhante! Ao iniciar o treinamento de executivos de uma empresa de seguros fui seriamente questionado pelos participantes (já em sala) sobre a necessidade do curso, visto que a empresa apresentava resultados na média do segmento, na visão deles.

Tendo estudado o setor e identificado mudanças dignas de notas, como a prestação de serviços antes nunca imaginados (ou não atendidos), como guincho, instalação de equipamentos de segurança, revisões nos faróis, lanternas, freios e até instalação gratuita de sistemas contra roubo, fui bem irônico ao atribuir-lhes o pioneirismo de iniciativas como estas, no que fui prontamente corrigido.

Eles só copiavam..., se bem que a contragosto. Alegavam que isto gerava custos. Inovação como estratégia para permanecer no negócio era algo impensado.

Muitas vezes copiavam sem acrescentar nada e, pior ainda, na maioria delas faziam errado nas primeiras tentativas.

Mal sabiam que o curso era o início de um processo de mudanças que começava com a identificação dos inaptos e dos ineptos. Sim, uma única letra a diferenciar palavras tão duras. Os ineptos (sem qualificação) foram demitidos e os inaptos passaram por um processo de aprendizagem/aperfeiçoamento. Hoje a empresa é uma das mais desejadas por profissionais que pensam atuar no setor. Os ineptos, mais que os inaptos tornam sua empresa limitada nos serviços que presta ou produtos que fabrica É urgente identificá-los e eliminá-los sem piedade, até porque esta qualidade (a piedade) já tem lugar certo para ser praticada. Sua empresa tem outra missão, certo?

- Trate dos inaptos. Estabeleça um novo patamar de produtividade, qualidade e capacite-os. Treinamento neles.

E sua equipe seguirá seus passos, pois todos identificarão em você o verdadeiro líder, que construirá não só uma empresa invejável, mas formará cidadãos para um País também invejável.

(*) Harvard Business Review, SET 04, pag 10 e 11

*José Teofilo Neto é diretor da Comunicação Direta - Consultoria e Treinamento em Atendimento, Vendas e Relacionamento.


Dicas, frases e reflexões para o desenvolvimento pessoal, profissional e empresarial 2007
Ter, 27 de Fevereiro de 2007

Sérgio Dal Sasso*

• Quem cria investe acima do óbvio e quem investe é porque gosta das perspectivas de uma boa rentabilidade. Se você tem grana, não se esqueça de renovar a potencialidade do seu grupo, oferecendo alternativas para que possam produzir melhores soluções. Por outro lado se está faltando “dindim”, não espere, levante e vá atrás, pela procura de associações junto aos meios participativos do seu mercado.

• Para crescer tem que amadurecer começando pelo reconhecimento da própria imperfeição e limitação.

• Seu negócio pode atingir um estágio impar, mas as transformações dos meios sempre pedirão que seja avançadinho em idéias e propostas. Aprenda a substituir os processos que somam por uma capacidade maior de dialogo e troca.

• É muito natural que as pessoas passem a maior parte dos seus tempos pensando, principalmente quando os índices das preocupações são maiores do que as possibilidades de soluções.

• O mundo é uma grande tentativa de demonstração e convencimento de quem e do que pode ser melhor, aonde pessoas e negócios se fundem para uma corrida, que por mais estúpida que seja, deverá responder com fatos e fotos no dia a dia da nossa existência.

• Empresas talentosas são aquelas que focam seus mercados, estudam suas variáveis, detectam oportunidades e procuram continuadamente estabelecer novidades para criar vínculos e serem percebidas pelas ações.

• Quanto mais maduro for o mercado, mais vizinhos indesejáveis e mais ritmo e harmonia serão necessários, tanto para produção do novo, como na habilidade para identificação e ação frente ao que vale ou não dos outros.

• Colhemos pelo resultado do como trabalhamos para dotar de garantias e seguranças as nossas intenções estratégicas, incluindo planos, fases e mobilidades.

• Os valores éticos quando aplicados amenizam retaliações e riscos de quebra de imagem, não só relacionadas por quem sofre a ação, mas também por uma condição perceptiva por parte daqueles que buscam diferenciais para efetuar sua opção de escolha e consumo.

• O principio de tudo está em criar uma condição que permita que o tempo seja administrado com autoconhecimento e prazer, justificando “o viver bem porque merecemos”.

• A dinâmica do mundo provém da forma rápida pela qual a informação se propaga, atingindo a todos em tempo real, e a grande dificuldade está na obtenção da qualidade pelo uso e adequação daquilo que recebemos e tentamos processar.

• Não existe nada mais antigo do que ficar esperando a chuva cair na sua horta, já que evolução significa competição e assim tudo que era pouco passou a ser um montão.

• Uma mente brilhante não faz uma empresa brilhante, uma empresa brilhante é formada de um conjunto claro de intenções e missões, aonde a sabedoria predominante sabe reunir seus valores em prol dos problemas, compartilhando suas capacidades para ser parte de um coletivo competente.

• Em mercados que não exigem competitividade, podemos sem muito esforço estruturar nossa operacionalidade através da formação de preços pelos próprios custos inerentes ao que estamos propondo.

• Nos meios competitivos nossa orientação está no conhecimento aprofundado do que o mercado quer e pode aceitar e aí ficamos pela necessidade da diferenciação e dependentes da capacidade criativa de produzir e servir melhor que o vizinho.

• A chave do êxito dos negócios nas empresas está na interpretação dos fatos e sua velocidade de resposta, mas os resultados ficam pela dependência de um clima interno favorável, motivado e orientado para as relações e aproximações externas.

• O que pesa hoje como diferencial não é a formação escriturada em títulos, mas a vivencia acumulada no conhecimento do mercado relacionado a sua atividade.

• O esforço da aplicabilidade, ou melhor, a divisão administrável do tempo, é algo parecido com a combinação da persistência com o “saco” para repetir e eliminar falhas, diante de um exercício continuado do pensar e praticar e assim formar novos conjuntos com tecnologia, adaptação e equilíbrio.

• É preciso aprender a sonhar abrindo os olhos diante dos problemas, brigando pelas soluções até que a repetição consiga consolidar os próprios passos. Muitas vezes passamos uma vida tentando ganhar na sena, querendo pular escadas, antes de aprender a como subir e descer, e assim acabamos por nunca completar nada.

• Nascemos e renascemos como crianças todo dia, e tudo que é novo, deve ser explorado pelo inicio, engatinhando, para que evoluções sejam condizentes com amadurecimentos e objetivos.
• No mundo atual nada é amador. Seus passos devem ser dirigidos junto com o conhecimento e domínio das variáveis do mercado pretendido. Isso é o que chamamos de exercícios para a percepção, que fatalmente farão diferença para que as coisas tenham maiores chances de acontecer.

• Filtrar sonhos, ordenar objetivos possíveis, reunir tudo num só conjunto, incluindo idéias, vontade e determinação, organizam a qualidade das ações, garantindo que a luta, tenha pelas atitudes, a diferença entre a produção no papel e disposição pratica para os seus projetos.

• Ninguém nasceu para mandar ou ser mandado, o que se espera é que um bom comandante tenha uma extensa vivencia no campo de batalha e que sua escola venha do crescimento pela alimentação, passo a passo, dimensionando o próprio domínio e visão critica, para a condução de melhorias sem perdas de harmonia pelo que deve ser estabelecido.

• A atitude deve ser sabia, criança, aluna e professora, num “mix” oportuno a cada situação, sejam nas ações táticas aonde somos parte das obrigações, sejam nas ações estratégicas aonde temos que ser parte dos que pensam.

• O grande valor da capacitação vem dos sistemas que criamos para produção de informações, pelo sentido, necessidade e praticidade de uso. O resto é marketing para encher o currículo frente às estúpidas, porém lógicas seleções.

• Não adianta querer ser o que o mercado fantasia como indispensável, é preciso ir de acordo com a sua função, para que possa ser melhorada, pois antes dos enfeites, sua vida sempre será medida por resultados, ganhando e alcançando as etapas em relação ao custo que apresentamos frente aos benefícios que oferecemos.

• Gente boa, com boa formação o mundo está cheio, temos tudo em excesso em todas as profissões e até em titulações para definirem desempregados, basta verificar que ninguém admite que não está fazendo nada, na pior das hipóteses todos viram consultores e palestrantes.

• Competência não é formação, mas a plena solução para torna-se popular em função daquilo que vende ou serve. No mundo do excesso, os produtos tendem a ficarem iguais, e por isso acabamos optando pelas pessoas e equipes acima desta ou daquela marca que representam.

• Quanto do que sonhamos realmente usamos para fazer o que estamos pensando. Muitas vezes ficamos no meio, ou seja, queremos e não fazemos, parte porque nosso dia a dia é tomado de uma necessária obrigação dentro da ironia do sistema, e parte porque é muito difícil ter que encarar os riscos da mudança, sair fora do que consideramos como fronteiras da segurança.

• Entre zero e dez, tudo é questão de estar no local certo com as pessoas certas. Não existe uma avaliação definitiva sobre nada, o que existe é a habilidade para articular o conhecimento rumo a descobertas das melhores possibilidades de adequação do seu potencial junto a públicos interessados.

• Nossas realizações vêm de coisas simples e de feitos complexos. Seus resultados dependem do tamanho das famílias conectadas com o que você faz.

• Tua organização profissional é um ferramental que deve reunir quantidade e qualidade de meios e formas para que o como seja carregado de possibilidades ao que se pretende atingir, antecipando sua garantia de resultados.

• Quando nada está acontecendo, mude a formula, pois ninguém que rejeita irá mudar de opinião enquanto o teu jeitão não se reinventar diante de modelos que aproximem das necessidades daqueles que pretendemos abordar.

• Se teu negócio não reunir o que queria ser com o meio que adotou para viver, mude de rota, pois o equilíbrio estará sempre faltante para garantir que a continuidade acrescente tesão ao que faz.

• Não conseguimos mudanças só pensando nelas, para tudo existirá um dia aonde terás que enfrentar os medos para descobrir, não àquilo que te completa, mas o que te ausenta.

• No mundo da produção em escala, de margens reduzidas e de alta competitividade, para que seu negocio seja referencia precisará, antes, se impor como preferência.

• A coisa toda passou ser justificada de fora para dentro, ou seja, o mercado quer e precisa, cabendo a nós descobrir, criar e lançar conquistando-o na frente da concorrência.

• Reinvenções muitas vezes não vão significar coisas novas, mas recuperações de valores perdidos, e para isso nem sempre serão identificadas pelo que está acontecendo no mundo, mas principalmente no que pode existir para melhorar você e sua vontade para enfrentar transformações, diante dos objetivos, obstáculos e cobranças.

• O que soma no teu crescimento como pessoa que sonha obter realizações é a capacidade de perceber o quanto e quando estamos errando junto com a formação da energia pela vontade de acertar.

• Ser ótimo significa fazer o melhor possível daquilo que potenciais clientes possam apreciar, ser ótimo significa obter informações cíclicas e evolutivas que atualizem os propósitos e respondam com novidades antes dos outros.

• Independentemente da técnica utilizada, sempre terá mais valor aquele cuja fonte estiver mais perto da bica, já que dessa forma não corremos tantos riscos entre o que se fala e o que se entende, e assim garantimos a renovação por um processo continuado de adequação ao que interessa.

• As coisas começam a acontecer quando a tua parte do não faça nada se unir com aquela que diz para fazer tudo. Normalmente adiamos tanta coisa que só lembramos o que faltou quando o tempo já não permite.

• Brigamos para convencer os outros que estamos certos e depois brigamos novamente para justificar porque erramos, e entre erros e acertos, vamos ficando mais velhinhos, o que não significa que temos que ser conservadores, mas ao contrario temos que ser mais nós mesmos, e usar a favor o que aprendemos para facilitar os avanços no dia a dia.

*Sérgio Dal Sasso, Consultor, Palestrante, Escritor e Articulista.

A Missão de Todos Nós
Sáb, 24 de Fevereiro de 2007
Floriano Serra*

Uma vez que comportamento é sempre uma decisão pessoal, cabe a cada um descobrir sua missão e decidir se vai realizá-la ou não.

A certa altura do famoso livro de Antoine de Saint-Exupéry, o Pequeno Príncipe diz:

- “Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa se não somas. E o dia todo repete como tu: “Eu sou um homem sério”! Eu sou um homem sério!" E isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!”

Pegando carona nessa analogia, acredito que há apenas duas maneiras de você encarar sua passagem aqui na Terra: ou você é um cogumelo ou acredita que tem uma nobre Missão a cumprir.

Isto é: ou você é daqueles que, de forma insensível e obsessiva, só reverencia o ganho material ou você aceita que sua existência tem um sentido maior do que o de apenas ocupar um espaço físico – e, nessa condição, contribui para que coisas boas aconteçam.

Isso faz toda a diferença do mundo para torná-lo um vencedor, porque essa é a base do comprometimento, da auto-motivação e do compromisso com a qualidade.

Se um profissional, de qualquer segmento, tem essa visão transcendente de vida, então ele não levanta da cama e se veste todo dia para ir ao trabalho apenas cumprir seu horário para ganhar o salário no final do mês. Isso seria absoluta falta de consciência de uma missão e, pior ainda, seria reduzir sua capacidade criativa e produtiva a uma mera troca por remuneração e transformar seu trabalho numa relação somente contratual, tipo toma-lá-dá-cá.

Será muito difícil para essa pessoa amar o que faz. E é muito provável que ela passe o dia acompanhando ansiosa os ponteiros do relógio aguardando a hora de ir embora.

Cadê a felicidade nesse trabalho que consome pelo menos dez horas de cada dia da sua vida? Não podemos esquecer que, dentre outras coisas, a felicidade vem da consciência de que sua missão está a se cumprir.

Faça um teste: reflita sobre seus afazeres diários, não importa em que segmento do mercado você atue. Tente descobrir de que maneira e com que grau de importância você, com seu trabalho, afeta a vida de outras pessoas, seus clientes internos e externos.

Viu como é importante o que você faz? E, por conseqüência, viu como você é importante? Dependendo da sua profissão, com o seu trabalho você pode afetar, de forma positiva ou não, o bem estar, a saúde, o humor, o tempo, a segurança, a alimentação, o visual, o comportamento - e tantas coisas mais – de muitas pessoas, a maioria das quais você talvez nem conheça e provavelmente nunca virá a conhecer. Sua participação nisso tudo pode ser direta ou indireta, pode ser explícita ou anônima, pode ser de inúmeras maneiras, mas nem por isso alguma delas deixará de ser importante.

Não há funções inferiores, desde que o desempenho delas esteja revestido de comprometimento, competência, ética, solidariedade e boa vontade.

Lembra de como você se sente quanto busca um serviço e é mal atendido ou quando adquire um mau produto? Essas coisas acontecem porque há quem preste serviços ou produza bens sem levar em conta a importância do seu trabalho, sem considerá-lo uma missão. E assim, mesmo que não tenha consciência disso, está provocando em outras pessoas o aborrecimento, a tristeza ou até a doença.

O que quero dizer é o seguinte: em tudo que é feito ou oferecido por um profissional, há um sentido maior e mais digno do que simplesmente a busca do lucro. Além do ganho financeiro, há também aquele que gosto de chamar de “ganho espiritual”, aquele que necessariamente não é o que satisfaz ao bolso, mas certamente alegra a alma e o coração.

É isso que molda os vencedores, entendendo-se como tais não aqueles que têm a conta-corrente mais recheada, mas aqueles que estão em paz consigo e com os demais, pela consciência do cumprimento permanente de sua missão.

É por causa dessa missão que há empresários que não esquecem do coração na hora de administrar seu lucro com a razão. Empresários que, com o mesmo interesse e empenho com que investem na expansão dos seus negócios, também investem na expansão da arte, da cultura, na saúde física e emocional dos seus Colaboradores. Retorno? Ganho espiritual. Dessa maneira, são felizes e distribuem felicidade.

É por causa dessa missão que há funcionários que também não esquecem do coração na hora de cumprir suas tarefas diárias, ainda que elas pareçam rotineiras e sem importância. Eles sabem que o todo é feito de pequenas partes.

Estes são Colaboradores alegres, dispostos, éticos e comprometidos com a qualidade do que fazem porque, pela consciência da missão, sabem que seu serviço ou produto destina-se a fazer melhor a vida ou o trabalho de alguém.

Enfim, uma vez que comportamento é sempre uma decisão pessoal, cabe a cada um descobrir sua missão e decidir se vai realizá-la ou não.

Quando dava meus primeiros passos em teorias de liderança e administração, li em algum lugar que "não há funções nem seres inferiores; inferior é cumprir mal sua missão".


Acredito nisso até hoje, mais de 30 anos depois.

* Floriano Serra é psicólogo,
autor do livro "A Empresa Sorriso" (Editora Butterfly).
É diretor de RH e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica.

Ser mais com menos: eis o futuro da humanidade.

Entrevista com Leonardo Boff

Publicado em 25 de julho de 2009 - Reflexões
IHU – Unisinos

Ao se confessar surpreso com a consciência ecológica do povo das CEBs que estão participando do 12º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que termina amanhã, em Rondônia, o teólogo Leonardo Boff reconhece que “embora pequenos, eles podem produzir efeitos significativos”. Na entrevista que concedeu por telefone ao IHU On-Line, direto do evento, Boff afirma que “a humanidade tem que descobrir outro caminho de produção, de consumo, com outros valores de convivência, porque, senão, vamos ao encontro do pior”. Entusiasmado com o encontro, ele declara: “nós vamos lutar, porque a causa é verdadeira, contamos com Deus e com a natureza, que está do nosso lado”.

Renomado teólogo brasileiro, Leonardo Boff foi um dos criadores da Teologia da Libertação. Ele é professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. É autor de mais de 60 livros nas áreas de teologia, espiritualidade, filosofia, antropologia e mística, entre os quais citamos Ecologia: grito da terra, grito dos pobres (São Paulo: Ática, 1990); São Francisco de Assis. Ternura e vigor (8. ed. Petrópolis: Vozes, 2000); Ética da vida (Rio de Janeiro: Sextante, 2006); e Virtudes para outro mundo possível II: convivência, respeito e tolerância (Petrópolis: Vozes, 2006).

Agradecemos o apoio da Rede de Cristãos.

Confira a entrevista:
IHU On-Line – Qual a visão da Amazônia que está sendo passada neste 12º Encontro Intereclesial das CEBs? Qual o principal grito que se escuta?
Leonardo Boff – A visão que estão passando é de perplexidade e de esperança. Perplexidade por causa dos muitos gritos que vêm em função das mineradoras, do agronegócio, das hidrelétricas, das grandes estradas que estão sendo abertas. Com isso, o povo se sente meio impotente diante do grande capital mundial, unido com o capital nacional. Por outro lado, há uma esperança. As populações ribeirinhas, as comunidades de base, junto com outros grupos, resistem, fechando as estradas – como fizeram com a hidrelétrica de Jirau – e obrigando as mineradoras a negociar. Praticamente todas as igrejas da Amazônia, não só a católica, mas a luterana e as outras, estão apoiando a resistência e a tomada de consciência sob a responsabilidade de preservar a Amazônia. A vocação da região não é o agronegócio ou a criação de gado, mas é se manter de pé, para o equilíbrio climático de toda a humanidade.

IHU On-Line – Qual a contribuição das CEBs em relação ao tema da ecologia? Qual é sua missão nesse sentido?
Leonardo Boff – Naquilo que pude captar até o momento neste encontro, apareceu muito a ideia de que as Comunidades Eclesiais de Base estão se transformando em comunidades ecológicas de base. Elas incorporam a consciência ecológica, defendem as florestas, são contra o desmatamento, cuidam das nascentes e das águas, procuram evitar os transgênicos, resistem e criticam. É a mesma postura da Ir. Dorothy Stang. Eles estão nesse tipo de linha. Para mim, está sendo uma grande surpresa. Eu não sabia que eles já tinham uma consciência ecológica desenvolvida do problema. Embora pequenos, podem produzir efeitos significativos. E isso é muito importante, pois é simplesmente avassaladora a presença do capital, com sua lógica de acumulação de riqueza, sacrificando as populações originárias e os pequenos camponeses.

IHU On-Line – Como o senhor tem sentido o evento até então? Como caracteriza a força que emerge do povo participante?
Leonardo Boff – O interessante é que, apesar das lutas e do sofrimento, há um entusiasmo fantástico, uma alegria, uma capacidade de celebração e uma esperança da pequena semente. Somos poucos, mas somos a energia que a semente tem dentro de si: que é a árvore, com o tronco, as folhas, flores e frutos. Nós vamos lutar, porque a causa é verdadeira, contamos com Deus e com a natureza, que está do nosso lado. É preciso resistir e obrigar os que não pensam como nós a mudar as estratégias, para que não sejam tão destruidoras. E se nós não podemos mudar os projetos, podemos mudar a maneira como são feitos.

IHU On-Line – Como os problemas conjunturais de Rondônia aparecem nesse encontro, por exemplo, as barragens, as hidrelétricas e a situação dos encarcerados no presídio Urso Branco?
Leonardo Boff – Esses problemas aparecem sempre na forma de crítica. Em primeiro lugar, ninguém da população local foi consultado. São projetos que o capital nacional e internacional fazem, deslocando populações, passando por cima delas, que são tradicionais e estão há dezenas de gerações aí, como os indígenas, quilombolas e camponeses. Todos eles são muito críticos e se sentem impotentes, porque a luta é muito desigual. Mas nós não vamos desistir, porque nossa causa é verdadeira. Vamos impor limites a essas pessoas que representam o capital. O povo daqui também lamenta que o governo não dá muita atenção a eles, fazendo políticas sociais de saúde, de educação e integração. No entanto, a Bolsa Família é importante, é preciso ser dito.

IHU On-Line – Como o senhor vislumbra o futuro da humanidade sob o enfoque das CEBs?
Leonardo Boff – Pessoalmente, vejo que estamos em um momento de viragem. A humanidade tem que descobrir um outro caminho de produção, de consumo, com outros valores de convivência, porque, senão, vamos ao encontro do pior. As Comunidades de Base são um pequeno ensaio do que pode ser o futuro: relações de cooperação, mais diretas e democráticas, com um respeito maior à natureza. Quando pescamos e muitos não têm peixe, a gente divide. Outros não; pegam e vendem, para poder ter lucro. Há um senso de alternativa que eles estão vivendo aqui. E esse pequeno é a fonte do que será o futuro da humanidade. Não porque nós queremos ou não queremos, mas porque essa é a alternativa. Ou fazemos isso ou vamos ao encontro de uma tragédia ecológica e humanitária.

IHU On-Line – Como combater a cultura de consumo? Em que medida podemos pôr em prática os três “Rs” da Carta da Terra (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) em uma sociedade atrelada à macroeconomia e à cultura do crescimento econômico?
Leonardo Boff – O sistema global entrou em colapso e essa é a nossa vantagem. Ele não consegue continuar mediante controles e modificações. Esse sistema não tem futuro. Temos que descobrir uma forma mais simples, de ser mais com menos, de começar já com cada pessoa. Eu não posso mudar o mundo, mas posso mudar meu corpo, posso fazer o que chamamos de revolução molecular. A soma de energia que as pessoas vão fazendo por necessidade, e muitas pela opção de um consumo mais simples, de pobreza voluntária, de comedimento são ações que estão criando as bases para um novo tipo de civilização mais adequado aos limites da terra, e que vão garantir o futuro da humanidade e da natureza, além dos outros seres que também precisam da biosfera.

IHU On-Line – Qual o papel da Teologia da Libertação, hoje, em relação ao debate sobre a crise ambiental?
Leonardo Boff – A Teologia da Libertação, que sempre escutou os gritos dos oprimidos, tem que escutar agora o grito da terra, das águas, da natureza. Dentro da opção pelos pobres, é preciso incluir o grande pobre, que é a natureza, a terra. Se nós não salvarmos esse planeta, que é a única casa comum que temos, nós definitivamente vamos pelo caminho já percorrido pelos dinossauros. A Teologia da Libertação deve ajudar a libertar a terra; uma terra crucificada, que tem que ser baixada da cruz, tem que ser ressuscitada. Isso pertence ao novo desafio da Teologia da Libertação, que precisa ser uma ecoteologia da libertação, integrando natureza e humanidade.


30/01/2009
Leonardo Boff: punições do Vaticano e o futuro da Igreja

Leonardo Boff, hoje casado e pai de seis filhos, é autor de mais de 60 livros

Neto de pobres imigrantes italianos, Leonardo Boff entrou para a Ordem dos Franciscanos em 1959. Em 1970, tornou-se doutor em Teologia pela Universidade de Munique, na Alemanha. Durante mais de duas décadas foi professor de Teologia Sistemática no Rio de Janeiro e em universidades de Portugal, Espanha, Suíça e até na prestigiosa Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Leonardo Boff foi um precursor do que hoje se entende por Direitos Humanos. Esteve à frente das primeiras reflexões que resultaram num discurso indignado contra a miséria que durante séculos massacrou a América Latina - discurso que logo receberia o nome de Teologia da Libertação.

Em 1984, por causa de suas teses libertárias, foi submetido a um violento processo pelo Vaticano. Sentado na mesma cadeira onde um dia sentou-se Galileu Galilei, Leonardo foi condenado ao silêncio, além de deposto das funções que exercia. Foi proibido de ensinar, dar entrevistas e publicar seus livros. Quem o condenou pessoalmente a esse calvário foi um cardeal hoje conhecido como Papa Bento 16.

O mundo reagiu e o Vaticano teve que voltar atrás devolvendo a Leonardo algumas de suas funções. Em 1992, de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma, Leonardo renunciou às suas atividades de padre e se tornou um leigo. Mudou de trincheira para continuar a mesma luta.

Hoje casado e pai de seis filhos, Leonardo vive numa reserva ecológica em Petrópolis. Aos 70 anos, autor de mais de 60 livros, a maioria traduzida nos principais idiomas modernos. Pela primeira vez em muitos anos, Leonardo Boff recorda nesta entrevista as atrocidades do julgamento a que foi submetido há 20 anos e de sua luta em defesa do meio ambiente e do planeta terra, nossa casa comum ameaçada de extinção.

Confira abaixo trechos da entrevista e no áudio a entrevista completa.

Marco Lacerda: No túmulo do seu pai está escrito um epitáfio que parece ter sido sempre o lema da sua vida. Qual é mesmo esse epitáfio?
Leonardo Boff: “Quem não vive para servir não serve para viver” - ele viveu estas palavras coerentemente, sempre servindo todo mundo como professor, juiz de paz e assistente social. Como não havia médicos na região - pois era uma região de desbravamento - muita gente morria. Ele conseguia penicilina e corria para lá, e eu, como era o menino maior, o acompanhava. Aquelas penicilinas salvaram muita gente. Meu pai era um agente altamente mobilizador de toda comunidade. Ele reunia todas as famílias após o rosário e obrigava cada um a ler um livro, contar o que estava lendo (assim eles já aprendiam o português) e fazia rodas de costura.

Marco: Leonardo, já se vão quase 25 anos desde a sua condenação, em 1984, a um silêncio obsequioso, imposto pelo Vaticano, por suas posições em relação à Teologia da Libertação. Olhando pra trás e revendo a história, qual é a sua percepção hoje de tudo o que te aconteceu?
Boff: A minha geração, e eu pessoalmente, nós fizemos “por ser” condenados, isto é, levantamos questões importantes. Acreditamos que a libertação não é só na sociedade, deve ser dentro da Igreja. Uma Igreja que quer ser anunciadora de libertação, só fará com legitimidade esse anúncio e atuará de forma libertadora se ela mesma for um espaço de liberdade, dando mais participação aos leigos, resgatando as mulheres. A sociedade moderna democrática é mais próxima ao sonho de Jesus do que a Igreja. Coloquei os pontos claros onde a Igreja poderia mudar e nunca foram escutados. Uma Igreja para os tempos modernos de globalização, em processo de libertação com a América Latina, deveria acompanhar a história e não ser uma fonte de águas mortas. Deveria ser uma fonte de águas vivas, que se atualize e anime os processos sociais, uma coisa boa para a comunidade. O Vaticano escutou isso e o cardeal Ratzinger disse: ‘olha, isso não se resolve por cartas, você vai ter que vir aqui e sentar na cadeirinha de Galileu Galilei’. E foi o que ocorreu mesmo.

Marco: Apesar de usar o nome "silêncio obsequioso", que quer dizer "respeitoso", a medida foi extremamente dura. Como foi o processo de inquisição ao qual você foi submetido?
Boff: O Vaticano usa eufemismos para atos extremamente violentos. Determinam deposição de cátedra, castigam, exigem silêncio, depois te transferem lá pro Alasca, depois pro Congo. A Igreja institucional (não falo a Igreja como comunidade, como herdeira de Jesus) me refiro à Igreja como direção. Padres são extremamente rígidos, duros, não perdoam muito e cobram tudo. Então, esse ‘silêncio obsequioso’ foi um silêncio penitencial que me impuseram. Para mim, significou deposição de cátedra, não poderia ser mais professor; deposição de um dos diretores da Voz, que na época já era uma das maiores editoras brasileiras. Fui deposto também da direção de duas revistas, uma que todo o clero assina - a Revista Eclesiástica Brasileira. Em resumo: não podia dar aula, não podia falar publicamente, não podia escrever nem publicar, não podia dar entrevista. E uma coisa curiosa. Dom Paulo Evaristo, que foi cardeal de São Paulo e meu professor aqui em Petrópolis, se encontrou com o Papa João Paulo II alguns meses depois e disse: ‘Santidade, o senhor fez com meu aluno Boff aquilo que os militares fizeram no Brasil. O senhor fechou a boca dele’. O papa respondeu: ‘eu, como os militares, nunca! Liberta esse homem’. Doze meses depois, me liberaram.

Marco: Coincidentemente, você foi condenado ao silêncio justamente pelo cardeal Josef Ratzinger que na época era responsável pela doutrina da fé na Igreja Católica e que hoje é o papa Bento 16. Qual é a sua avaliação do pontificado dele depois de três anos no cargo?
Boff: Josef Ratzinger, o teólogo, era muito amigo meu. Fomos colegas, fiz meus estudos na Alemanha e ele era professor em uma cidade perto, Freising. Depois foi para outra cidade, mas vinha muito à universidade, dava palestras, era um teólogo inteligente e uma pessoa extremamente fina, elegante, nunca alterava a voz. De repente, ele foi transformado como Cardeal de Munique, ficou alguns meses e foi levado a Roma. Lembro que escrevi uma carta a ele dizendo que a teologia estava em glória, porque tinha como chefe um eminente teólogo e nós poderíamos trabalhar com liberdade e alegria. Para minha surpresa, 15 dias depois, recebo uma carta dele dizendo: ‘olhando os arquivos da congregação, eu me dou conta que tem várias perguntas que você tem que responder de vários livros, e espero que você responda logo’. E pensei: ‘gente, esse homem mudou’.

Marco: Foi então que ele se tornou o responsável pela Doutrina da Fé e começou todo o processo contra você?
Boff: Foi, começou o processo e não parou mais. Em 1985, o Papa disse ‘larguem, deixem ele pra lá’, ai fui libertado e comecei a falar, a assumir tudo, dar palestras, escrever. Até que, durante a Eco 92, participei de uma mesa com o Dalai Lama e falei que as religiões abraâmicas - o judaísmo, o cristianismo e o islamismo - são as religiões mais belicosas do mundo, que fazem guerra de grande devastação. Disse também que o cristianismo tem dificuldade em pregar a paz porque ele tem setores fundamentalistas. É para os elitistas, quer converter todo mundo. Na América Latina, converteu com a cruz e a espada, matando milhares de indígenas. E lá no auditório havia um cardeal - Cardeal Baggio - que havia sido núncio aqui e era um espião do vaticano. Quando acabou a palestra, ele me chamou e disse: - Bom, vejo que você não aprendeu nada dos castigos e terá que sair da América latina. Respondi: - Olha eminência, eu posso até ir, mas vou como teólogo, para ensinar, para falar, escrever e trabalhar. E ele disse: - Não, não, você fica quieto num convento. Neguei novamente: - Cardeal, não vou. Aceitei o silêncio porque era um gesto de humildade. Agora isso é uma humilhação. Humilhação é pecado e eu não aceito. Essa conversa aconteceu ao meio dia e, segundo ele, eu teria 24 horas para decidir. Mas logo avisei: ‘está decidido. Não vou para lá’. Então ele disse: ‘siga o seu caminho’. Lastimavelmente, tive que tomar esta decisão, sair do convento e renunciar ao ministério de padre. Mas logo na semana seguinte, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro me concedeu uma cátedra para eu ensinar o que eu quisesse e levar adiante minha missão.
Marco: No pontificado de João Paulo II perto de 150 teólogos foram silenciados por defenderem, como você, idéias inovadoras que batiam de frente com o Vaticano. Como é possível que esse tipo de cerceamento seja praticado até hoje pela Santa Sé?
Boff: Eles estão em permanente disputa, guerra, conflito, e se fecharam sobre si mesmos. Querem construir uma Igreja para dentro, como uma grande fortaleza. Dessa forma, a Igreja vira uma ilha, fica irrelevante na história. Ela está mais próxima dos palácios dos Césares e muito longe da barca de São Pedro. Este é um erro histórico fatal, que mostra a falta de teologia, a fraqueza de cabeça e de inteligência. Uma Igreja que tem medo é uma Igreja que não tem fé. E ela tem medo tudo. Essa visão faz com que os teólogos que dialogam com a sociedade moderna (e por isso dão uma visão mais global do universo) sejam vistos como criminosos, que colocam a fé em risco. Eu, Gustavo Gutierrez e outros 150, que viemos do mundo moderno, da universidade e dialogamos com a fé, fomos condenados injustamente por dar novo rosto à Igreja. Essas condenações só atrasam a Igreja, que se transforma em ‘crepuscular’ e ‘velha’, sem atrativos para a humanidade.
Marco: Um assunto em perpétuo debate é a questão do celibato. Existe hoje muita gente insatisfeita dentro da Igreja por causa do celibato. E muita gente fora que poderia entrar e não entra por causa disso. Qual a importância do celibato pra quem está dentro da Igreja e pra quem está fora?
Boff: O celibato é uma invenção da Igreja. Jesus não impôs celibato a ninguém, os 12 apóstolos eram todos casados - talvez um não fosse, São João. O celibato entrou de forma lenta e tardia na Igreja, e se tornou obrigatório mesmo só no século XVI, com o Concílio de Trento. A sociedade européia era toda agrária e os padres eram camponeses, que precisavam de mão-de-obra para ajudar no campo. Não havia seminários, eles foram criados depois de 1500. Então o padre gerava os seus filhos para o trabalho no campo e os educava para ser coroinha, leitor, diácono, subdiácono. O mais bem preparado virava padre. E a Igreja funcionava tranqüilamente assim. Só que, para os cargos de bispo, eram escolhidos os monges, religiosos que faziam voto de castidade. Então, o celibato surgiu historicamente. E por ter surgido dessa forma, também pode desaparecer historicamente. A Igreja mantém a prática por razões que não são muito claras. Acredito que seja por comodidade, porque um funcionário que é celibatário você pode tirar de Petrópolis, transferir para Belo Horizonte e de lá para o Acre. Ele está sozinho, não tem família, então não tem problema. Agora isso não é digno, acho que o celibato é possível como decisão pessoal. Se alguém quiser ser celibatário e padre é ótimo, que seja. A pessoa fica mais disponível, integra a sua maneira o masculino e o feminino, devemos respeitar isso. O que eu questiono é a imposição da lei do celibato para todos aqueles que querem servir a Igreja como padres. Essa imposição não é legítima, restringe demais e não tem fundamento evangélico. Respeitamos que haja celibato por opção. O importante é que a pessoa possa servir à comunidade e exercer sua missão religiosa de anunciar o evangelho. Possivelmente, fará isso com muito mais experiência sendo casado do que vivendo como celibatário.

Marco: É sabido que a grande força que move a Igreja são as mulheres e, no entanto, as portas estão fechadas para mulheres que querem tornar-se sacerdotes. Você acha que essa situação um dia vai mudar?
Boff: Um dia, a crise na Igreja será tão grande que ela será obrigada a se abrir às mulheres. Não por vontade, mas porque não tem saída. Se olharmos, quem leva de fato o grosso do trabalho da Igreja são as mulheres. Elas constituem mais da metade da Igreja e são as mães e as irmãs da outra metade. Tenho até uma razão teológica para dizer que elas deveriam ser consagradas: primeiramente, elas nunca traíram Jesus. Em segundo lugar, o fato maior do cristianismo não é a morte de Cristo na cruz, é a ressurreição. E as testemunhas da ressurreição foram as mulheres.
Só por isso, elas deveriam ser padres, bispos, até papa, e não são. Mas o dia vai chegar.

Entrevista realizada pelo jornalista Marco Lacerda no programa FrenteVerso, que vai ao ar aos domingos, às 21h, pela Rádio Inconfidência FM (100,9), de Belo Horizonte.
Fonte : Dom Total

Leonardo Boff e a ética da vida

10/06/2009 - 13:30

Ministro Patrus Ananias participa de evento sobre a obra do teólogo franciscano, em celebração aos seus 70 anos, e destaca seu compromisso com os pobres

Bruno Spada /MDS
O ministro Patrus resumiu a obra de Leonardo Boff (à dir) em quatro dimensões: social, ecológica, ecumênica e ética.

Um profeta. Um sábio. E um santo. Assim o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, descreveu Leonardo Boff, durante debate no projeto Sempre um Papo, realizado nesta terça-feira (9/6), em Belo Horizonte (MG), em torno do lançamento do livro Leituras Críticas sobre Leonardo Boff, com a presença do teólogo. O ministro é autor de um dos artigos que compõem o livro, organizado pelo professor Juarez Guimarães, do Departamento de Ciência Política da UFMG. O livro integrou celebrações pelos 70 anos de Boff.

Patrus Ananias destacou principalmente a proximidade de Leonardo Boff com a realidade brasileira e o compromisso dele com os pobres, dentro da tradição franciscana. Essa característica havia sido destacada por Alceu Amoroso Lima, que afirmou, em conversa com Leonardo Boff, que a geração à qual ele pertencia tinha ido ao coração dos pobres.

O ministro Patrus resumiu a obra de Leonardo Boff em quatro dimensões. Além da dimensão social, a dimensão ecológica, a ecumênica e a ética. Sobre a ética de Boff, ele disse: “É uma dimensão que engloba as duas primeiras (social e ecológica) e extrapola a questão moralista. Leonardo Boff vivencia uma ética da vida, buscando aquilo que possibilita florescer a vida”.

Um teólogo que acredita nos homens – Clique aqui para ler a íntegra
Ana Paola Amorim



Paixão, morte e vida
31.03.10 - BRASIL

Selvino Heck *
Adital -
Tem dias e semanas que condensam o tempo. A última semana foi destas. Semana encantada.

Segunda, 22, o presidente Lula assinou Decreto de criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena, no Ministério da Saúde, reivindicação histórica.

Terça, no II Salão dos Territórios Rurais, em Brasília, houve um painel com o tema Desenvolvimento, Território e Democracia. Tânia Bacelar, economista da Universidade Federal de Pernambuco, falou da necessidade de um novo modelo de desenvolvimento. "A terra não agüenta o ‘american way of life’ - modo americano de viver. E é preciso pensar num mundo rural com gente, não com máquinas."

O economista francês Ignacy Sachs disse que estamos na terceira grande crise mundial. Há um duplo desafio no século XXI: ambiental e social, com o tema da desigualdade. O desenvolvimento deve ser includente, sustentável e solidário. Segundo ele, a experiência dos Territórios da Cidadania é sem comparação no mundo. E chamou a atenção para 2012, quando vai acontecer, vinte anos depois da Rio-92, a nova Cúpula Mundial da Terra no Rio de Janeiro, momento decisivo para o Brasil e o mundo.

O italiano Carlo Petrini, fundador do Movimento Slow Food, clamou por um novo humanismo. Há uma crise de perda de sentido. É preciso reduzir o desperdício. "Não precisamos de consumidores, mas de cidadãos".

Quarta, a convite da Fundação Banco do Brasil, Leonardo Boff falou sobre Ética, Espiritualidade e Trabalho. Leu a Carta da Terra, que tem sua forte contribuição. E lembrou como em setembro de 2009, ele e Evo Morales, presidente da Bolívia, defenderam na ONU que se usasse a expressão Mãe Terra nos documentos em vez de apenas Terra. "Pode-se comprar, vender, explorar a terra. Mas a mãe cuida, ama. Por isso, Mãe Terra". 192 países, por unanimidade, aprovaram a mudança.

Ainda na quarta, o Presidente Lula e ministros da área social discutiram a proposta de Consolidação das Leis Sociais, ainda em formatação, para assegurar aos pobres e trabalhadores políticas públicas e sociais que defendam seus interesses e necessidades. E, com a presença do presidente, houve a premiação de experiências exitosas que buscam atingir os ODM -Objetivos do Milênio- até 2015, a maioria já cumpridos no Brasil.

À noite, em celebração tocante na CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - foi rememorado D. Oscar Romero, Cardeal de El Salvador, assassinado há 30 anos por sua luta pela justiça e por uma América Latina onde reinem a solidariedade e a partilha.

Quinta, na entrega do Prêmio Rosani Cunha de Desenvolvimento Social - Ações Integradas para Proteção e Promoção Social -, companheira militante e Secretária de Renda de Cidadania do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que morreu de acidente ano passado na Argentina, o ministro Patrus Ananias falou que o direito fundamental é o direito à vida, que também significa direito à alimentação, à educação de qualidade, ao trabalho, à água potável. No mundo de hoje, o que tem valido na prática é o direito à propriedade. Patrus disse que não se pode deixar que as pessoas morram. "É não deixar morrer. É preciso dizer: esse vamos manter vivo. O mistério da ressurreição." Quando havia dúvida sobre algum programa, Rosani dizia: ‘Mas é para os pobres, ministro’. "O que acomoda as pessoas não é o Bolsa Família. O que acomoda é a fome. O Ministério de Desenvolvimento Social é de combate à fome, até se transformar em Ministério de combate à pobreza e um dia será apenas Ministério de Desenvolvimento Social."

Sexta, o V Encontro Nacional do Programa Escolas-Irmãs, ligado ao Gabinete Pessoal do Presidente da República. Mais de 200 pessoas de quase todo Brasil trocaram experiências, solidariedade, convivência. O escocês Liam Kane lembrou de Paulo Freire e de sua influência na educação brasileira, latino-americana e mundial.

A semana em que estamos condensa a história. Quinta-feira, a partilha do pão feita por Jesus ao redor da mesa com os irmãos, irmãs, companheiros e companheiras. Sexta, o sofrimento de quem é torturado por sua pregação, suas parábolas, seus milagres, seus sonhos, seu Reino. E é morto na cruz como se ladrão fosse. Depois, (re)aparece vivo na memória, nos gestos, nas palavras, na esperança de um mundo de paz, de justiça, de fraternidade.

Felizmente, alguns momentos, dias, semanas tornam mais fácil e saboroso o viver. As crises são oportunidade de se pensar e construir o novo. Passa-se pela paixão, sofrem-se mortes, mas o tempo da vida e da luz sempre acontece. O novo sempre vem, na nossa vida, na comunidade, na história.

O mundo hoje é de paixão, sofrimento e morte para muita gente, especialmente pobres e trabalhadores. Mas ninguém pode ou deve renunciar à possibilidade do Aleluia e da Ressurreição.

* Assessor Especial do Presidente da República do Brasil. Da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política
Fonte : Notícias da América Latina e Caribe

Entrevista com o teólogo Leonardo Boff “ Somos seres de luz”

Nosso primeiro berço foram as estrelas

O que é a luz?

A luz constitui um dos maiores mistérios do universo. Somente entendendo-a ao mesmo tempo como partícula material e como onda energética podemos ter uma compreensão mais ou menos adequada dela. Hoje sabemos que todos os seres vivos emitem luz, biofotons, a partir das células da DNA. Por isso todos irradiam certa aura.
Há razão para tanto simbolismo em relação à luz e as estrelas como o sol?

Não é sem razão que a luz e o sol se tornaram símbolos poderosos de tudo o que é positivo e vital. Especialmente o sol irradiante é visto como o grande arquétipo do herói e do lutador que vence as trevas com os monstros que nelas eventualmente se escondem. Sua aparição a cada manhã não é uma repetição, mas toda vez uma novidade, pois é sempre diferente. É um teatro cósmico que começa como se Deus dissesse ao sol a cada manhã:“Vamos, tente mais uma vez! Renove teu nascimento! Irradie tua luz em todas as direções e sobre todos”.

Há algum paralelismo especial entre o movimento do sol e a vida humana?

Fazia-se e faz-se ainda hoje a impressionante experiência de que o Sol com seus raios de luz, nasce como uma criança. Na medida em que sobe no firmamento, vai crescendo como um adolescente até chegar à idade adulta ao meio-dia. Pela tarde vai definhando até ficar velho e morrer atrás da linha do horizonte. Mas, passada a noite, ele volta a nascer, limpo, brilhante, sorridente como uma criança. Como não celebrá-lo festivamente? Como não entendê-lo como sinal da Realidade originadora de todas as coisas?

A metáfora mais poderosa de Deus é o sol e a luz. Por que?

De fato, ele é uma imagem poderosa de Deus como o cantou São Francisco em seu “Cântico ao Irmão Sol”. Nenhuma metáfora da divindade é mais poderosa que a da luz e a do Sol. A própria experiência da luz fez surgir a palavra Deus. Ela deriva de di em sânscrito que signfica brilhar e iluminar. De di veio “dia” e “Deus”, como expressão de uma experiência de luz e de iluminação.

Qual a razão de Jesus se apresentar como luz?

Como diz São João: ”Deus é luz” (1Jo 1,5). “Ele habita”, no dizer de São Paulo “numa luz inacessível”(1Tim 6,16). Jesus se auto-apresenta como luz: “Eu, a luz, vim ao mundo para que todo aquele que crê não ande nas trevas”(Jo 12,46) O Verbo encarnado é “vida e luz dos homens”, “luz verdadeira que ilumina todo o ser humano que vem a este mundo”(Jo 1.4.9). Por isso é com razão apresentado como “a luz do mundo”(Jo 9,5). Os que aderem a Cristo como luz devem viver “como filhos da luz”(Ef 5,8). E “os frutos da luz é tudo o que é bom, justo e verdadeiro”(Ef 5,9). Mais ainda. Cada seguidor deve ser também “luz do mundo”(Mt 5,14).

E quanto a nós?

Nós todos somos seres de luz. Fomos formados originalmente no coração das grandes estrelas vermelhas, há bilhões de anos. Carregamos luz dentro de nós, no corpo, no coração e na mente. Especialmente a luz da mente nos permite compreender os processos da natureza e penetrar no íntimo das pessoas até no mistério luminoso de Deus.

Extraído do livro Meditação da Luz, de Leonardo Boff


Duas cosmologias em conflito.
Por Leonardo Boff


O prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, disse recentemente que o legado da crise econômico-financeira será um grande debate de idéias sobre o futuro da Terra. Esse debate se dará em torno das duas cosmologias em conflito no cenário da história. Por Leonardo Boff na Carta Maior. Leonardo Boff é teólogo e escritor.

O prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, disse recentemente: “O legado da crise econômico-financeira será um grande debate de idéias sobre o futuro da Terra”. Concordo plenamente com ele. Vejo que o grande debate se dará em torno das duas cosmologias em conflito no cenário da história. Por cosmologia entendemos a visão do mundo – cosmovisão – que subjaz às idéias, às práticas, aos hábitos e aos sonhos de uma sociedade. Cada cultura possui sua respectiva cosmologia. Mediante ela, se procura explicar a origem, a evolução e o propósito do universo, a definição do lugar do ser humano dentro dele.

A nossa cosmologia atual é a da conquista, da dominação, da exploração do mundo, com vistas ao progresso e ao crescimento ilimitado.

Caracteriza-se por ser mecanicista, determinista, atomística e reducionista. Por causa desta cosmovisão, criaram-se inegáveis benefícios para a vida humana, mas também contradições perversas como o fato de 20% da população mundial controlar e consumir 80% de todos os recursos naturais, gerando um fosso entre ricos e pobres como nunca antes houve na história. A metade das grandes florestas já foi destruída, 65% das terras cultiváveis foram perdidas, cerca de 5 mil espécies de seres vivos desaparecem anualmente e mais de mil agentes químicos sintéticos, a maioria deles tóxicos, são espalhados pelo solo, ar e águas.

Construíram-se armas de destruição em massa, capazes de eliminar toda vida humana. O efeito final é o desequilíbrio do sistema-Terra que se expressa pelo aquecimento global. Com os gases já acumulados, em 2035, chegaremos fatalmente a um aumento de 2 graus centígrados, e, se nada for feito, segundo algumas previsões, no final do século serão 4 ou 5 graus, o que tornará a vida, tal como a conhecemos hoje, praticamente impossível.

O predomínio dos interesses econômicos, especialmente os especulativos, capazes de reduzir países inteiros à mais brutal miséria, e o consumismo trivializaram nossa percepção do perigo que vivemos e conspiram contra qualquer mudança de rumo.

Em contraposição, está aparecendo com força cada vez maior uma cosmologia alternativa e potencialmente salvadora. Ela já tem mais de um século de elaboração e alcançou sua melhor expressão na Carta da Terra.

Ela deriva das ciências do universo, da Terra e da vida e situa nossa realidade dentro da cosmogênese, aquele imenso processo evolutivo que iniciou no big bang, há cerca de 13,7 bilhões de anos. O universo está continuamente expandindo-se, organizando-se e auto-criando-se. Seu estado natural é a evolução e não a estabilidade, a transformação e a adaptabilidade e não a imutabilidade e a permanência. Ele relaciona-se em redes e não existe nada fora desta relação. Por isso todos os seres são interdependentes e colaboram entre si para evoluir juntos e garantir o equilíbrio de todos os fatores. Por trás de todos os seres atua a Energia de fundo que deu origem e anima o universo e faz surgir novas criações. A mais espetacular delas é a Terra viva e nós, os seres humanos, como a porção consciente e inteligente dela, com a missão de cuidá-la.

Vivemos tempos de urgência. O conjunto das crises atuais está criando uma espiral de necessidades de mudança que, se não forem implementadas, nos conduzirão fatalmente ao caos coletivo, mas que se forem assumidas, poderão nos elevar a um estágio mais alto de civilização.

E é neste momento que a nova cosmologia se revela inspiradora. Ao invés de dominar a natureza, nos situa no seio dela em profunda sintonia e sinergia. Ao invés de uma globalização niveladora das diferenças, nos sugere o biorregionalismo que valoriza as diferenças. Este modelo procura construir sociedades autosustentáveis dentro das potencialidades e dos limites das biorregiões, baseadas na ecologia, na cultura local e na participação das populações, respeitando a natureza e buscando o “bem viver” que é a harmonia entre todos e com a mãe Terra.

O que caracteriza esta nova cosmologia é o cuidado em lugar da dominação, o reconhecimento do valor intrínseco de cada ser e não sua mera utilização humana, o respeito por toda a vida e os direitos e a dignidade da natureza e não sua exploração.

A força desta cosmologia reside no fato de estar mais de acordo com as reais necessidades humanas e com a lógica do próprio universo. Se optamos por ela, se criará a oportunidade de uma civilização planetária na qual o cuidado, a cooperação, o amor, o respeito, a alegria e a espiritualidade terão centralidade. Será o grande giro salvador de que necessitamos urgentemente.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer Data: 25 de maio de 2010, 10:29

A saudade do servo na velha diplomacia brasileira


O filósofo F. Hegel em sua Fenomenologia do Espírito analisou detalhadamente a dialética do senhor e do servo. O senhor se torna tanto mais senhor quanto mais o servo internaliza em si o senhor, o que aprofunda ainda mais seu estado de servo.

A mesma dialética identificou Paulo Freire na relação oprimido-opressor em sua clássica obra Pedagogia do oprimido. Com humor comentou Frei Betto: "em cada cabeça de oprimido há uma placa virtual que diz: hospedaria de opressor". Quer dizer, o opressor hospeda em si oprimido e é exatamente isso que o faz oprimido. A libertação se realiza quando o oprimido extrojeta o opressor e ai começa então uma nova história na qual não haverá mais oprimido e opressor mas o cidadão livre.

Escrevo isso a propósito de nossa imprensa comercial, os grandes jornais do Rio, de São Paulo e de Porto Alegre, com referência à política externa do governo Lula no seu afã de mediar junto com o governo turco um acordo pacífico com o Irã a respeito do enriquecimento de urânio para fins não militares. Ler as opiniões emitidas por estes jornais, seja em editoriais seja por seus articulistas, alguns deles, embaixadores da velha guarda, reféns do tempo da guerra-fria, na lógica de amigo-inimigo é simplesmente estarrecedor.

O Globo fala em "suicídio diplomático"(24/05) para referir apenas um título até suave. Bem que poderiam colocar como sub-cabeçalho de seus jornais:"Sucursal do Império" pois sua voz é mais eco da voz do senhor imperial do que a voz do jornalismo que objetivamente informa e honestamente opina. Outros, como o Jornal do Brasil, tem seguido uma linha de objetividade, fornecendo os dados principais para os leitores fazerem sua apreciação.

As opiniões revelam pessoas que têm saudades deste senhor imperial internalizado, de quem se comportam como súcubos. Não admitem que o Brasil de Lula ganhe relevância mundial e se transforme num ator político importante como o repetiu, há pouco, no Brasil, o Secretário Geral da ONU, Ban-Ki-moon. Querem vê-lo no lugar que lhe cabe: na periferia colonial, alinhado ao patrão imperial, qual cão amestrado e vira-lata. Posso imaginar o quanto os donos desses jornais sofrem ao ter que aceitar que o Brasil nunca poderá ser o que gostariam que fosse: um Estado-agregado como é Hawai e Porto-Rico. Como não há jeito, a maneira então de atender à voz do senhor internalizado, é difamar, ridicularizar e desqualificar, de forma até antipatriótica, a iniciativa e a pessoa do Presidente. Este notoriamente é reconhecido, mundo afora, como excepcional interlocutor, com grande habilidade nas negociações e dotado de singular força de convencimento.

O povo brasileiro abomina a subserviência aos poderosos e aprecia, às vezes ingenuamente, os estrangeiros e os outros povos. Sente-se orgulhoso de seu Presidente.

Ele é um deles, um sobrevivente da grande tribulação, que as elites, tidas por Darcy Ribeiro como das mais reacionárias do mundo, nunca o aceitaram porque pensam que seu lugar não é na Presidência mas na fábrica produzindo para elas. Mas a história quis que fosse Presidente e que comparecesse como um personagem de grande carisma, unindo em sua pessoa ternura para com os humildes e vigor com o qual sustenta suas posições.

O que estamos assistindo é a contraposição de dois paradigmas de fazer diplomacia: uma velha, imperial, intimidatória, do uso da truculência ideológica, econômica e eventualmente militar, diplomacia inimiga da paz e da vida, que nunca trouxe resultados duradouros. E outra, do século XXI, que se dá conta de que vivemos numa fase nova da história, a história coletiva dos povos que se obrigam a conviver harmoniosamente num pequeno planeta, escasso de recursos e semi-devastado. Para esta nova situação impõe-se a diplomacia do diálogo incansável, da negociação do ganha-ganha, dos acertos para além das diferenças. Lula entendeu esta fase planetária.

Fez-se protagonista do novo, daquela estratégia que pode efetivamente evitar a maior praga que jamais existiu: a guerra que só destrói e mata. Agora, ou seguiremos esta nova diplomacia, ou nos entre devoraremos. Ou Hillary ou Lula.

A nossa imprensa comercial é obtusa face a essa nova emergência da história. Por isso abomina a diplomacia de Lula.

Leonardo Boff junto com Mark Hathaway escreveu o livro The Tao of Liberation. Exploring the Ecology of Transformation, N.Y. 2009.

( Este artigo em especial é uma colaboração de leitura selecionada por Walter Raimundo Amorim –Belo Horizonte-MG)


Acesse e leia :

http://vodpod.com/watch/3244366-entrevista-a-leonardo-boff-1la-teologia-de-la-liberacion-y-la-

http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_Boff

http://www.qir.com.br/?p=4156

Entrevista TV Cultura 31/05/2010

Críticas e Sugestões Construtivas sobre Asfaltamentos

Os políticos deveriam ter vergonha de subir bairro acima, somente em épocas de eleições, para inaugurar asfaltos, sendo que estes, geralmente são feitos com má qualidade.

Como no exemplo daqui, do Bairro das Flores, onde o asfalto, recém-colocado, já está com remendos em vários lugares, vazamento de águas, todo torto, por falta de qualidade, falta de fiscalização e avaliação das obras públicas, pelo próprio serviço público.

As empresas licitadas nem sempre cumprem todas as especificações e nem sempre o serviço público tem ótimos técnicos, que entendam, sobre cada área, para criar critérios. Por isto os serviços ficam como serviço de porco, ao apresentarem excesso de economia. Neste exemplo do asfalto do Bairro das Flores: no pixe assentado, pois entende-se que o lucro, está na economia, na sobra. Só que tem tipo de economia, que é a base da porcaria, pois daí algum tempo tem que voltar lá de novo, para remendar .

A população, que tem direito a estes serviços, ainda precisa ficar implorando para ser atendida. Pelo menos aqui, no Bairro das Flores, foi assim. A presidente da Associação de Moradores do Bairro, a vizinha Sandra, teve que ficar direto, o tempo todo, implorando para ter reunião, para atender a esta demanda, que é uma demanda antiga, deste bairro, como acredito que seja, de outros.

As pessoas precisam saber que ao votar, em um Deputado Estadual ou Federal, este é seu representante direto, que tem como dever, de representante oficial, votar os orçamentos, propor projetos de lei, atender demandas coletivas prioritárias prevendo-as nos orçamentos, votar e acompanhar todos os tipos de leis, bem como, inclusive acompanhar o cumprimento das leis da constituição, em beneficio do povo.
As verbas liberadas não são favores! É direito do povo. Não são para ser trocadas, por propagandas diversas, pois até mesmo um simples agradecimento, gera direta ou indiretamente propaganda na rádio, nos jornais, nas faixas, nas revistas, na internet, etc.

A entrega de serviços de qualidade gera propaganda positiva e a de má qualidade gera propaganda boca a boca negativa, é o que está naturalmente acontecendo aqui. Estão vindo pessoas de longe, para ver o asfalto e circular no bairro. No silêncio, ficamos observando e com muita vergonha. Vergonha de ver que o Brasil está evoluindo, tanto e tanto e que, aqui, tudo é devagar, devagarinho e com má qualidade, acredito que por falta de exigência e de critérios de qualidade.

Os deputados voadores, de todos os lugares do Brasil, ficam nesta época, loucos para atender a todas as cidades com as quais eles assim se comprometem e trocam serviços. Entrega de serviços, por possíveis quantidades de votos e de influências nos futuros votos.

Por que não visitar o povo sempre e ver as demandas e atendê-las, continuamente?

Por que não, pelo menos, ouvir, criar critérios para atender as diversas demandas de uma cidade, de um estado, de um país, em estado crescente de desenvolvimento ?

Por que não estimular a participação popular sempre? Por que somente, com excesso, em algumas épocas?

Graças à globalização, ainda bem, com a internet, o povo pode ficar de olho. Olhar e assistir direto, cobrar, denunciar, sugerir, criticar, observar as reuniões anteriores e ver quem estava presente, votando em benefício do povo e do país.

Nem sempre, os deputados votam com coerência e agem com coerência. Ainda tem muito nepotismo direto e indireto, às vezes até despistado, disfarçado, na intenção de ajudar o povo. Mas, agora, o povo pode observar de perto os conchavos e cobrar mudanças, de forma mais direta e objetiva.

Nós precisamos de mais instituições públicas exemplares, como disse o presidente LULA (em resumo de palavras, para entendimento): “hoje estamos em outro tempo, muito mais veloz, precisamos de parcerias, de transparências, de muito diálogo nas relações, de pensar com seriedade, entregar produtos e serviços de qualidade para a população...”

Que esta seja uma crítica para a melhoria da qualidade dos asfaltamentos em outros locais.

Se observarmos as obras antigas do Prefeito Juca e de alguns Deputados (como o antigo Sacadura), vê-se direto o diferencial da qualidade.

O rigor da busca de qualidade é um critério de exigência importante, independente de partido político do qual o político é o representante e nem também da ideologia. Há que se pensar que tudo torna-se reflexo. Os critérios vêm da pessoa e devem ser mais da pessoa que contrata os serviços, da chefia, do gerente, do gestor, do líder.

Por isto é preciso estar com motivação, em ação, com respeito e carinho pela população, pois com ou sem dinheiro, pode-se fazer bem feito. É lógico que, com dinheiro, reservas e dotação orçamentária, pode-se fazer muito mais. O importante é fazer com qualidade, pois a qualidade é daquele que cobra e confere os produtos e os serviços, principalmente, os públicos, que deveriam reunir as pessoas frequentemente para delegar e criar critérios. Se não há critérios, a oferta do produto e do serviço aparece e vem de qualquer jeito. O critério é muito importante, pois este passa, de forma direta ou indireta, para as ações públicas como transferência, que interfere, diretamente, nos resultados.

Lembrando aqui, nas memórias da nossa cidade, independentemente de partido político e olhando o tipo critério escolhido, as obras que eram entregues pelo Prefeito Juca do Marcelino, que sempre foram obras de qualidade: do calçamentos aos prédios. Também as que eram trazidas pelo antigo Sacadura, que nem falar sabia direito, eram de qualidade.

Ao fazer uma obra, que a faça de uma vez. Se gasta somente uma vez e faça-se bem feito!

Vejam a Restauração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro: demorou 100 anos para precisar de restauração e observem a qualidade do gasto atual, a qualidade dos produtos e dos serviços entregues. Teve um custo, relativamente alto, mas vejam o benefício e o retorno que provavelmente virá, no presente e no futuro, em relação ao estímulo, à motivação, ao aumento de qualidade na cultura do Rio de Janeiro, prevendo os eventos a partir de agora, resgatando as preciosidades das as óperas, das apresentações de teatro e shows, dos eventos que serão planejados para 2014 e 2016, que estão para vir. E muitos, muitos outros que virão.

Em tudo na vida, pensar com miséria e excesso de economia, gera miséria. Pensar com visão de desenvolvimento, progresso, fartura, prosperidade para si e para todos, ao mesmo tempo, gera expansão, mesmo se for preciso quebrar altas e duras resistências.

É importante pensar na distribuição para todos os que conseguirem perceber o estímulo. A sacudida, para sair da inércia, pois não são todos os que o percebem. Pensar em distribuição e transformação gera metas e, instintivamente, planejamento, mesmo com dificuldades de compreensão das diferentes formas de expansão da matéria, visando estimular outros olhares. Tudo isto gera, naturalmente, visão de curto, médio e longo prazo. Gera possibilidade de transferência, de amplitude de ondas energéticas que estimulam o ensinamento, o criar seguidores espontâneos, que observam também a qualidade na forma espontânea. Isto gera a sintonia, onde as pessoas pensam sentem, agem e observam, ao mesmo tempo, que acontecem várias coisas e pensamentos em lugares diferentes, como uma intercomunicação de ligação direta.
Toda esta análise da qualidade, é como se observássemos a dureza do sólido, a fluidez do líquido e a expansão do gasoso. Se cada molécula for de qualidade, na composição, as transformações não ficam só na rigidez do sólido, na fluidez do líquido e na expansão do gasoso, pois gera o equilíbrio nas necessidades de transformações.

No humano também é assim. Existem pessoas altamente rígidas como um sólido, duras para entender, compreender e agir diferente. São empacadas nas suas próprias ideias. Outras são mais fluidas, percebem mais, agem mais, decidem mais. Tomam forma como um líquido, se esparramam e vão tomando uma direção. Outras são como a expansão dos gases, em relação às leis de transformações da matéria e às leis universais, justamente na captação, do que tem que fazer, sem precisar ordenar. Parecem sem organização, mas são organizadas. Estas percebem as energias diversas por sensibilidade. São os verdadeiros artistas, com talentos diversos, pois, por onde passam, provocam transformações.

O importante é que estas sejam de qualidade, para produzir a mudança na essência, na cópia dos valores, das preciosidades dos valores humanos. No decorrer da vida, encontramos muitas pessoas de altos valores humanos. São estas que, com certeza, nos estimulam a fazer tudo com qualidade, pois vem de dentro, com detalhes de olhar e olhar, observar e observar, modificar e modificar, para fazer melhor. Então aparece o prazer e a vontade de fazer direito, de fazer bem feito tudo que se pega para fazer.

O que mais precisamos na atualidade é de pessoas que sejam estimuladas a fazer obras primas, obras inéditas, diferentes, de qualidade em todas as áreas, integrando-as com o som, a voz e o comando que vem de dentro. Não com o comando externo, pois é este comando interno o verdadeiro interligare, que é, ao mesmo tempo, livre e responsável de natureza, com as pequiníssimas, pequenas, médias e/ou grandes tranformações, porque, no futuro as interligações serão feitas por inteligência e/ou sensibilidade coletiva, tanto na ínfima parte como no global.

Sugestão:
Capacitar pessoas para ouvir o som interno, a voz e o comando que vem de dentro, para conectar com o externo e procurar fazer tudo muito bem feito e com qualidade.
Observar e estudar outro tipo de material, ecologicamente, mais correto do que o asfalto.

Uma coisa é certa: quem é interligado, não consegue ficar desligado, por mais que aparente ser desligado.

Como no velho ditado: quem gosta de qualidade, acha defeito em tudo e não suporta ter que repetir, consertar, emendar, quebrar para fazer de novo. Prefere algo novo.

(Marilda Cristina da Silva Fonseca)

 

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